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03/03/2005 - Ricardo Luís Probst

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Ricardo Probst é um dos destaques da equipe do Paulistano no Nacional Masculino 2005. O ala-pivô de 2 metros é o reboteiro da competição com média de 12 rebotes por partida (108 no total). Também é dele o recorde de rebotes em uma partida (22). Com esse desempenho no garrafão, o atleta de 28 anos vem ajudando o Paulistano a conquistar preciosos pontos na tabela rumo à classificação para os playoffs, primeiro objetivo do time no Campeonato. O catarinense, que começou a jogar basquete com sete anos em Blumenau, fala sobre sua carreira, família e seleção brasileira.

Como analisa a campanha do Paulistano no Nacional até agora?

Não começamos muito bem, talvez pelo desgaste da disputa do Paulista. Mas agora estamos em um bom momento. Conseguimos três importantes vitórias fora de casa que deram gás ao grupo. Precisamos manter esse padrão para brigar por uma vaga nos playoffs. A competição é longa e ainda temos o que aprimorar e crescer para conseguir esse objetivo.

Qual trunfo do Paulistano para buscar a vaga para os playoffs?

A nossa grande vantagem é ter uma equipe que joga bem coletivamente. Cada partida tem um jogador diferente se destacando e a pontuação não fica centralizada em um atleta. Isso faz com que o adversário tenha mais dificuldade em nos marcar.

Para você quais as equipes favoritas ao título?

Pelo que vi até agora, Uberlândia, COC e Telemar têm maiores chances de brigar pelo título, devido ao excelente elenco que possuem. Mas pela campanha realizada até aqui, o Minas vem se destacando bastante, fazendo grandes jogos e pode surpreender ainda mais.
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Você é o reboteiro do Nacional, com média de 12 rebotes por jogo. Qual o segredo do sucesso embaixo do garrafão?

Um bom desempenho nos rebotes depende de três coisas: posicionamento, impulsão e determinação. Você tem sempre que participar das jogadas. Pode até não conseguir pegar o rebote, mas tem que estar bem posicionado e subir com muita determinação, tanto no ataque como na defesa.

Como você avalia o atual momento da sua carreira e quais seus objetivos como atleta?

Acho que estou fazendo um bom campeonato e estou apresentando um grande volume de jogo. O que busco sempre é participar o máximo possível das jogadas, me adaptando à necessidade de cada partida. Quanto aos meus objetivos, quero ser campeão jogando como titular, tendo uma participação maior na equipe. Os títulos que conquistei foram mais no início da minha carreira, quando jogava pouco tempo. Quero efetivamente ajudar uma equipe a ser campeã.

Você tem expectativas quanto à seleção brasileira?

Claro que sim. Como todo atleta, acho uma honra defender meu país. Se o Lula precisar de mim, estarei a disposição para fazer o máximo possível pela equipe. Mas é algo que eu não conto muito, pois a seleção está se renovando. É claro que se surgir a oportunidade, ficarei bastante satisfeito.
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Conte um pouco sobre sua trajetória no basquete.

Meu pai jogava como veterano no Ipiranga, que ficava bem perto da minha casa, em Blumenau. Comecei a jogar lá com sete anos e fiquei até os 18 anos, quando fui para Joinville e participei do meu primeiro Campeonato Nacional pelo Akros. Até aí minha prioridade era o estudo, enquanto o basquete era mais um hobby. Foi quando o técnico Cláudio Mortari me chamou para jogar em Rio Claro e disse que eu poderia ser um jogador profissional, se me dedicasse a esse objetivo. Foi o grande divisor de águas na minha vida. Segui o conselho e resolvi investir integralmente na minha carreira de jogador, o que valeu a pena. Depois joguei no Palmeiras, Franca, Corinthians, Casa Branca, Uberlândia e Londrina.

Quais foram os técnicos que ajudaram na sua formação como jogador?

Cada treinador tem uma característica que procurei aprender e incorporar na minha formação. Tive a oportunidade de trabalhar com grandes profissionais que me ajudaram muito. O Mortari, como já disse, foi com quem aprendi a levar o basquete realmente como profissão. O Hélio Rubens trabalha muito com a motivação, que é importantíssimo. O Marco Antônio Aga foi o responsável pela grande mudança no meu jogo, quando me tirou da posição três (ala) para a quatro (ala-pivô). Com o Ênio Vecchi aprendi ser mais confiante e ter uma postura de liderança em quadra. O Neto, meu atual técnico, impressiona pela tranqüilidade que passa aos jogadores.
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Você já passou por vários clubes e cidades. Quais as vantagens e desvantagens de tanta mudança?

O legal é conhecer outros lugares, culturas e pessoas. É uma grande experiência de vida. O grande problema é justamente ter que se distanciar dos laços que você cria nos lugares. Cada mudança é um recomeço. Ainda bem que tenho minha esposa Juliana, que me acompanha e me dá o maior apoio. Ficar longe da nossa família, que mora em Santa Catarina, é muito difícil. Mas temos que aproveitar e valorizar os momentos que passamos juntos.

Deixe uma mensagem para os iniciantes do basquete.

Dedicação e treinamento são as palavras-chave para vencer no basquete. Cheguei até aqui porque sempre gostei de jogar e me empenhei para fazer o melhor possível, dentro e fora de quadra. A vida de atleta não é fácil e temos que abdicar de muitas coisas, mas sempre vale a pena quando você faz com amor.