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23/01/2005 - Antônio Carlos Vendramini

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Aos 54 anos, Antonio Carlos Vendramini fez história ao conquistar seu terceiro título do Nacional Feminino, sendo único técnico a vencer a competição mais de uma vez. A equipe do FIO/Pão de Açúcar/Unimed/Ourinhos derrotou o Unimed/Americana por 3 a 1 na série final, fechando o playoff em casa para delírio da torcida de Ourinhos que lotou o Ginásio Monstrinho e comemorou o primeiro título nacional do clube. Vendramini participou de todas as sete edições do Nacional Feminino e esteve presente em seis finais. O técnico também foi campeão em 1998, pela equipe do Fluminense e em 2000, pelo Paraná Basquete. Foi vice-campeão em 99, 2001 e 2003. Em 2002, ficou em quinto lugar dirigindo o Dom Bosco (MS). Em 20 anos como técnico proffisional, Vendramini acumula outras importantes conquistas: duas vezes campeão mundial de clubes, campeão pan-americano, quatro vezes campeão sul-americano, nove vezes campeão paulista e cinco vezes campeão da Taça Brasil. Tais marcas deste profissional um dos grandes nomes do basquete brasileiro. Há um ano e meio em Ourinhos, Vendramini divide suas funções de técnico da equipe adulta com a supervisão técnica do Projeto Gente Feliz, que incentiva a prática do basquete para crianças nas escolas estaduais da cidade.
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Como foi a trajetória do Ourinhos na conquista do título?

Começamos com muita irregularidade na fase de classificação. Aliás, a primeira etapa do campeonato teve um nível técnico um pouco baixo no geral. Nos playoffs melhorou, permaneceram mesmo as equipes mais fortes equipes e as partidas ficaram melhores. A partir das quartas-de-final contra Guarulhos, nós jogamos com mais raça, corrigimos os erros e entramos com mais concentração nas partidas. Na série final, a vitória sobre Americana fora de casa nos deixou muito confiantes, pois levamos dois jogos para Ourinhos, onde a torcida nos dá um apoio fantástico, com sua alegria contagiante. Nosso compromisso então foi ser campeão na nossa cidade, sem levar a disputa para a quinta partida em Americana. E conseguimos dar a esse povo a felicidade do título inédito.

Qual a receita para o sucesso de Ourinhos?

União, disciplina e garra. Tecnicamente o que fez a diferença em nosso time foi a regularidade defensiva. A marcação forte funcionou bem e deu tranqüilidade para a equipe nos contra-ataques. A experiência de algumas jogadoras, como Janeth, por exemplo, ajudou muito as mais jovens nos momentos de decisão. Cada atleta se empenhou ao máximo dentro de suas características, além da Janeth, que apareceu na hora exata e deu um show nos playoffs.

Mas também não teve a ajuda de um “bolo da sorte”? Conte essa história.

É uma coisa muito engraçada que mostra bem o clima de amizade e bom humor da nossa equipe. Minha esposa Alba, que sempre me apoiou, fez uns docinhos e entregou para as meninas no dia de uma partida contra o Guaru nas quartas-de-final, junto com um bilhetinho de boa sorte. Foi um sucesso e vencemos. Depois ela levou um bolo para a gente em um treino antes de mais um jogo. A partir de então o grupo todo começou a dizer que o bolo dava sorte e ela não podia mais parar de cozinhá-lo. Na final, foi a mesma coisa, antes de cada jogo ela distribuía o bolo e foi assim até a sermos campeões.
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Para você quais foram os destaques do Nacional?

Na armação, além da Fabianna (São Caetano), a Betânia (Ourinhos) foi uma grata surpresa. Era uma jogadora que costumava atuar poucos minutos mas amadureceu muito aqui em Ourinhos e foi fundamental nos playoffs. Chuca e Janeth (Ourinhos) foram os destaques nas laterais. As pivôs Ega (Ourinhos) e Kátia (Santo André) foram referências em suas equipes e me impressionaram muito. Eu destaco ainda o trabalho super competente de dois grandes treinadores: Paulo Bassul (Americana) e Norberto Borracha (São Caetano). São ótimos profissionais que estão no basquete há bastante tempo, desde que eram assistentes técnicos. O Borracha trabalhou comigo muitos anos e fico extremamente feliz e orgulhoso de ver como ele está bem treinando a equipe do São Caetano.

Você está em Ourinhos há um ano e meio. Como avalia o seu trabalho?

Fui contratado inicialmente para treinar o time adulto, mas não consigo ficar longe das categorias de base. Sinto necessidade de desenvolver uma filosofia de trabalho em todas as faixas etárias Fiz isso em quase todas as cidades em que trabalhei, como Presidente Prudente, Sorocaba, Paulinea, Americana e no Paraná, onde o Centro de Excelência do Estado do Paraná atendeu a 14 mil crianças quando estive lá entre 1999 e 2001. Fico muito feliz ao ver o resultado desses dezoito meses de trabalho aqui em Ourinhos. Temos equipe de competição nos colégios Objetivo e COC desde o mirim. Essa categoria inclusive foi campeã brasileira dos Jogos Escolares deste ano, em Brasília. A torcida abraçou completamente a idéia e incentiva a nossa equipe adulta com uma alegria contagiante, sempre lotando o ginásio Monstrinho e vivendo intensamente o basquete na cidade.
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Fale um pouco sobre o Projeto Gente Feliz.

É um projeto patrocinado pelo Pão de Açúcar que tem como objetivo incentivar a prática do basquete entre as crianças da rede estadual de ensino aqui em Ourinhos. Acho que o esporte é uma das melhores formas de ajudar as crianças a superar as dificuldades da vida. Eu trabalho como supervisor técnico, organizando cursos e ajudando na capacitação dos professores. Alguns que se destacam são encaminhados para as equipes de competição das categorias de base de Ourinhos, mas a meta principal não é detectar talentos e sim incentivar essas meninas a terem uma opção útil de lazer, no caso o basquete, que só ajuda no desenvolvimento físico e emocional dos praticantes.

Quais os seus planos para o futuro?

Estou analisando a proposta que recebi de Ourinhos para ficar mais uma temporada e ainda não sei o que vou fazer em relação a isso. Este ano eu gostaria também de retomar o meu mestrado em Ciência do Esporte na Unicamp. Se eu conseguir um dia na semana na minha agenda corrida, volto para os estudos.
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Quais as características de um bom técnico?

Além, claro, de conhecimento, o profissional que treina uma equipe dever ter liderança e bom senso para poder ajudar o grupo a se desenvolver e superar as dificuldades. E, na minha opinião, o mais importante é ter uma relação de amizade com as atletas. Eu, por exemplo, prefiro montar o meu time, não gosto muito de encontrar o elenco pronto. Um ambiente de união e respeito influi diretamente no resultado em quadra.