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01/09/2004 - Janeth dos Santos Arcain

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Janeth Arcain acaba de voltar de Atenas, onde disputou sua quarta Olimpíada, com uma marca histórica na bagagem. A ala alcançou 535 pontos, se tornando a maior cestinha da história dos Jogos Olímpicos. Em Atenas, Janeth fez 144 pontos, sendo a quarta melhor pontuadora da competição e a primeira do Brasil. Aos 35 anos, a atleta estuda propostas de três clubes brasileiros para disputar o 7º Campeonato Nacional Feminino, que começa em outubro. Mas por enquanto, Janeth só pensa em descansar da maratona de jogos e cuidar do seu Centro de Formação, em Santo André, que ensina basquete a cerca de 200 crianças e já tem quatro equipes das categorias de base disputando o Campeonato Paulista.

O que representa ser recordista olímpica de pontos?

É mais uma coroação do meu trabalho, da minha participação na seleção brasileira e nos Jogos Olímpicos. É uma conquista que aconteceu naturalmente dentro do jogo coletivo. Fico feliz em ter alcançado essa marca e ter mantido a seleção brasileira entre as quatro melhores equipes do mundo. Quem sabe não é mais uma motivação para tentar quebrar o meu próprio recorde em Pequim daqui a quatro anos.
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Como você recebeu o carinho da torcida na volta de Atenas?

É gratificante ver que o público reconheceu toda a garra e determinação da nossa equipe. Lutamos muito por uma medalha, mas os nossos adversários estiveram melhores nos dias em que jogaram contra nós. O Brasil não demostrou inferioridade em relação as outras seleções. Olimpíada é assim mesmo e temos que ver que não é só a medalha que glorifica o trabalho. As pessoas viram a nossa dedicação e para nós esse carinho e o reconhecimento do público é bastante emocionante.

O que representa o basquete em sua vida?

O basquete é o ar que eu respiro. É sempre uma satisfação imensa pegar uma bola e fazer uma cesta, ultrapassando meus limites. Essa é a vida do atleta, superar suas limitações e aperfeiçoar seu talento. O basquete me deu tudo que tenho de material e com ele também conquistei muitas amizades e aprendi muita coisa sobre a vida.
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Em mais de 20 anos de carreira, quais os momentos mais importantes?

Vários. Ser campeã mundial (Austrália/1994) foi um momento maravilhoso, em que mostramos para o mundo a força do conjunto brasileiro. A ida para a WNBA, em 1997, foi ótimo, pois fui jogar no maior campeonato de basquete do mundo, convivendo com grandes profissionais. Mas o melhor de todos os momentos da minha vida de atleta foi a conquista da medalha de prata em Atlanta (1996). O primeiro pódio olímpico é realmente inesquecível.

E a cesta inesquecível?

Não foi exatamente a cesta, mas toda uma jogada. Me lembro de uma partida contra a Espanha, acho que foi no Mundial da Austrália. Estávamos perdendo e faltava cerca de um minuto para acabar o jogo. Eu roubei uma bola e a espanhola fez uma falta intencional em mim. Converti os lances-livres, ficamos com a posse de bola e acertamos o ataque. Passamos a frente e vencemos.
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Como atleta, quais os planos para o futuro?

Já avisei a WNBA que não voltarei esse ano. Vou jogar o Campeonato Nacional, que começa em outubro. Estou analisando propostas de três clubes: Ourinhos, Guaru e Juiz de Fora. A partir de 2005, vou pensar mais devagar, se estiver bem física e psicologicamente, vou jogando. Ano que vem, pretendo voltar para a WNBA e espero que o calendário não coincida com as principais competições internacionais, como o 15º Campeonato Mundial do Brasil (2006) e os Jogos Pan-Americanos do Rio de Janeiro (2007). Para estar em uma Olimpíada, abri mão de jogar nos Estados Unidos, porque se trata da mais importante competição para um atleta e merece uma exceção, mas para outras competições fica mais difícil.

Fale um pouco sobre o Centro de Formação Esportiva Janeth Arcain.

Inauguramos em fevereiro de 2002 e o trabalho vem crescendo a cada ano. Ensinamos basquete para um grupo de cerca de 200 crianças entre 7 e 14 anos e temos quatro equipes que disputam o Campeonato Paulista: pré-mini e mini masculino, além do mini e mirim feminino. É um trabalho que me faz um bem enorme e é muito importante para a divulgação do basquete. O esporte, competitivo ou não, traz vários benefícios para meninos e meninas. Estimula a vontade de melhorar e de vencer, fazendo as crianças lutarem por seus objetivos Estamos fortalecendo a nossa base em Santo André para depois pensar em expandir para outras regiões.
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Sempre vão existir dificuldades. Mas temos que ser batalhadores para poder realizar nossos objetivos e ultrapassar as barreiras que nos separam dos nossos sonhos.