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30/07/2004 - Karla Cristina Martins da Costa

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A ala/armadora Karla está realizando o grande sonho de sua carreira: disputar uma Olimpíada. Aos 25 anos, essa brasiliense mostrou o seu talento na fase de preparação e garantiu seu lugar entre as doze jogadoras que estão em Atenas em busca da terceira medalha olímpica para o Brasil. Vinda das categorias de base, Karla foi campeã da Copa América Juvenil (México/1996), vice-campeã sul-americana juvenil (Equador/1996) e foi quarta colocada no Campeonato Mundial Juvenil (Brasil/1997). Pelos clubes, Karla foi campeã do Nacional (Paraná Basquete/2000) e bicampeã paulista (BCN/1998 e Paraná Basquete/1999). Na última temporada, a atleta defendeu a equipe russa do Dinamo Novosibirsk.

Qual a emoção de disputar uma Olimpíada?

É uma alegria tão grande que eu não consigo nem pensar direito. As jogadoras mais experientes falam que só quando chegar lá é que vamos ter a real noção do que é participar da maior festa do esporte. Eu estou realizando um sonho. É a recompensa de uma vida dedicada ao basquete.
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O que esperar da jogadora Karla em Atenas?

Muita garra e determinação. Não estou indo para simplesmente completar um grupo. Vou para trabalhar, para ajudar a equipe e mostrar o meu potencial. A gente trabalha muito, deixa cidade, família, o país para participar de um momento como esse. Eu não pretendo desperdiçar essa oportunidade.

E as chances do Brasil na Olimpíada?

Estamos determinados a buscar a medalha de ouro. Pela preparação que fizemos e o talento do grupo, temos totais condições de fazer uma excelente campanha e subir ao pódio mais uma vez. Para isso, temos que enfrentar todos os jogos com a mesma concentração e vontade de vencer. A nossa chave é muito forte, mas temos que pensar que, em Olimpíada, não há adversário fácil.

O ponto forte da seleção brasileira.

O conjunto. O técnico Barbosa conta com 12 jogadoras que estão conscientes do seu trabalho. Ao longo dos treinos, o grupo melhorou bastante, individual e coletivamente.

Qual a expectativa para os amistosos na Grécia?

Os jogos servirão para fechar com chave de ouro a nossa preparação. Vamos poder observar como estão as outras seleções e corrigir os erros para estrearmos contra o Japão acostumadas com o clima e o ritmo de competição.
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Fale sobre sua trajetória no basquete.

Comecei cedo. Meu pai era presidente do clube Unidade Vizinhança (DF) e eu vivia lá praticando várias modalidades esportivas. Influenciada por tios e primos que faziam basquete, escolhi esse esporte para treinar. Em 1994, fui selecionada em uma peneira na Ponte Preta, em Campinas, e saí de Brasília. Na seleção brasileira, conquistei alguns títulos nas categorias de base e agora tive minha grande chance na equipe principal. Na minha última temporada no Brasil, defendi o São Paulo no Campeonato Nacional de 2003 e fui para a Rússia.

Como foi essa experiência na Rússia?

Joguei por três meses no Dinamo Novosibirsk e foi muito importante para o meu crescimento pessoal e profissional. É um país muito diferente e a adaptação foi difícil. Tive sorte de estar no mesmo time da Helen, que me ajudou bastante. Consegui superar as dificuldades com vontade e bom humor. Agora tenho a impressão que posso sobreviver em qualquer lugar. Quanto ao basquete, as russas jogam com menos contato, mais na precisão do que na força, enquanto eu sou afobada e parto para cima. Nesses três meses, aprendi a jogar mais cadenciado e minha visão de jogo melhorou.

Quais seus planos para a próxima temporada?

Gostaria de ficar no Brasil por uns meses. Estou vendo algumas alternativas para jogar o Campeonato Nacional. Depois gostaria de voltar para o exterior e ter mais experiência internacional.
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Para encerrar, deixe uma mensagem para os iniciantes no basquete:

Nunca deixe de acreditar no seu potencial. Quem trabalha com dedicação e integridade sempre colhe bons frutos. Um dia o seu momento chega. No meu caso, em que fiquei uns quatro anos afastada da seleção principal, cheguei a parar de jogar por uns meses, mas vi que tinha que lutar pelo meu sonho. Lutei com garra e disciplina e conquistei meu espaço e hoje consigo me sustentar fazendo o que gosto e vou representar o meu país nos Jogos Olímpicos, em Atenas.