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22/01/2001 - Danilo Castro

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A traquinagem infantil fez o armador Danilo Castro, de 30 anos, conhecer o basquete. Aos sete anos de idade, sua mãe o colocou em uma escolinha pois o menino fazia muita travessura em casa. Daí em diante, não parou mais de quicar a bola, se tornou um jovem tranquilo, responsável e hoje é um atleta maduro, consciente e muito trabalhador. Qualidades que o fizeram superar grandes problemas de contusão, quando quase viu sua carreira encerrada. Mas Danilo, que foi campeão paulista em 96, superou as dificuldades e hoje é um dos grandes nomes da tradicional equipe paulista do Valtra/UMC/Mogi. Danilo fala sobre sua vida e a expectativa para mais um desafio: buscar o título do 12º Campeonato Nacional de Basquete, que começa neste domingo.

Quando e como você começou a jogar basquete?

Minha mãe me colocou em uma escolinha de basquete aos sete anos de idade, para eu parar de perturbar a minha irmã caçula em casa. Foi a minha grande sorte, pois achei o meu caminho. Um ano depois eu já estava federado, jogando nas divisões de base do Sport Clube São Bernardo. Em 84, fui convocado para a seleção paulista e quatro anos depois, em 88, estava defendendo a seleção brasileira pela primeira vez, no Sul-Americano Juvenil.
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O que você mais gosta de fazer quando não estar jogando basquete?

Minha dedicação ao basquete é tanta, que mal dá tempo para fazer outras coisas. Quando tenho uma folga, gosto de viajar, conhecer lugares novos. Como atleta, tenho a oportunidade de ir a várias cidades do Brasil e do mundo, mas nunca dá tempo de aproveitar a viagem.

Como é essa rotina de dedicação integral ao basquete?

Treino cinco horas por dia, em dois turnos, manhã e tarde. Á noite, curso o último ano da faculdade de Educação Física. Procuro ficar em casa descansando, vendo TV e jogando videogame com a minha esposa. Sou muito caseiro e poupo minhas energias para o meu trabalho.
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Analisando o jogador Danilo, qual é o seu ponto forte e o que precisa melhorar?

Acho que meu ponto forte é a capacidade de cadenciar o jogo. Sou de arriscar pouco em quadra e com isso, erro menos. Por outro lado, acho que tenho que assumir uma postura mais firme. Como armador, deveria ser mais líder, chamar mais os outros jogadores para a responsabilidade. Mas tenho um jeito educado demais, não sou de berrar ou de discutir. Para um armador isso é importante, porque é nele que começam as jogadas.

Qual foi a sua maior alegria e a maior tristeza na carreira?

A maior tristeza foram as duas contusões consecutivas que tive no joelho, em 90 e 92, quando tive que parar um ano para cada lesão. Pensei que minha carreira tinha acabado mas encarei a situação como um desafio. Com muito esforço e força de vontade consegui me recuperar e manter o meu nível de jogo. Já uma grande alegria que vivi foi minha ida para o Monte Líbano, em 88. Estava ao lado dos meus grandes ídolos, atletas que haviam conquistado o Pan-Americano de Indianápolis. Estava com 18 anos, vinha do interior e jogar com Pipoka, Rolando, Marcel, Paulinho Villas Boas e outros grandes jogadores foi como um sonho. Eles me receberam muito bem, me aconselharam bastante e devo muito do que sou ao tempo que convivi com eles.
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Aos 30 anos, você é um dos veteranos do Valtra/Mogi. Como é sua convivência com os jovens atletas?

Sou do tipo conselheiro, que busca orientar os mais inexperientes dentro e fora de quadra. Como disse, tive muita ajuda no Monte Líbano quando era jovem e sei como esse incentivo é importante. Eu, Jeffty e Patterson, os mais velhos, somos muito procurados pelos novos talentos do Mogi e tentamos ajudá-los no que for possível. Como já vi de perto o fim da carreira, busco mostrar aos mais jovens o quanto o trabalho, esforço e dedicação são importantes na vida de um atleta.

E a expectativa para o Campeonato Nacional?

Acho que será o melhor Nacional de todos os tempos. O público verá grandes jogos, porque o equilíbrio será a marca da competição. Hoje temos de dez a doze times capazes de conquistar as primeiras colocações. A nossa equipe tem muita tradição no basquete e o objetivo é sempre o título.