Imprensa

11/07/2004 - Sílvia Cristina Gustavo Rocha

img
Com apenas 22 anos, Silvia Cristina Gustavo Rocha já tem uma trajetória de campeã. Nos últimos três anos, a ala/pivô colecionou diversos títulos. Pela seleção brasileira, ficou em sétimo lugar no Campeonato Mundial da República Tcheca (2001) e foi vice-campeã do Mundial Sub-21 da Croácia (2003). Pela sua equipe, o Unimed/Americana (SP), foi campeã paulista e do Nacional (2003), vice-campeã brasileira (2002) e vice-campeã paulista (2002/2004). Sua atuação nestas conquistas valeu à essa jovem a primeira convocação para a seleção brasileira adulta, que treina para a Olimpíada de Atenas. Agora Silvia se dedica aos treinamentos com o objetivo de estar no grupo de 12 atletas que vão buscar a terceira medalha olímpica para o basquete feminino do Brasil.
img

Conte um pouco sobre sua trajetória no basquete.

O basquete sempre fez parte da minha vida, desde criança, e está no sangue da família. Minha irmã Karen, joga comigo em Americana e meu primo Nezinho, no COC/Ribeirão Preto. Mas a maior influência que recebi foi da minha tia Roseli Gustavo (campeã do Mundial da Austrália/1994). Comecei com nove anos de idade, quando passava as férias com a tia Roseli em Campinas e ia para a escolinha da Ponte Preta, com a Prof. Mila e o Paulo Bassul. Com 11 anos, passei a morar com minha tia para jogar. Dois anos depois, quando ela foi trabalhar em outra cidade, decidi ficar em Campinas, vivendo em República e jogando nas divisões de base do clube, onde fiquei até os quinze anos. Com o Paulinho, joguei no Ulbra/Canoas (RS) e, em 1999, fomos para o Unimed/Americana, onde trabalho até hoje.

E os treinos na seleção adulta?

O ritmo é muito forte, buscando trabalhar várias opções, especialmente o jogo coletivo. É uma experiência fantástica em que estou aprendendo muito. Pensei que ficaria mais ansiosa por estrear em uma seleção adulta, mas o ambiente é tranqüilo. Já joguei com o técnico Barbosa na Copa América Sub-21 e convivo com o Paulo Bassul desde o começo da minha carreira. Isso tudo me dá muita segurança para mostrar o meu potencial.

Sendo uma das mais novas, como é a convivência com o grupo?

Muito legal. Apesar de nova, conheço a maioria das atletas. As jogadoras mais experientes sempre estão dispostas a ajudar as mais jovens, aconselhando, conversando, dando dicas dentro e fora da quadra. O clima aqui é muito alegre e eu adoro isso, pois sou muito bricalhona.
img

Quais suas expectativa para ficar entre as doze jogadoras que irão a Atenas?

Acho que fiz uma boa temporada no Campeonato Paulista e tenho condições de brigar para estar entre as doze, além de achar que sou ótima para conviver em grupo. Sei que estou indo bem, mas estou consciente que ainda me falta um pouco mais de experiência. É claro que quero ir para Atenas, mas não será o fim do mundo se não for.

E as chances do Brasil na Olimpíada?

Acredito que a chance de medalha é grande, inclusive podemos pensar no ouro. O caminho não é fácil, pois o equilíbrio é enorme. O grupo está treinando muito forte e temos um tempo bom de preparação. O Barbosa está podendo trabalhar várias opções táticas e isso só faz aumentar as chances do Brasil em fazer uma excelente competição. Além das brasileiras, as mais fortes candidatas ao pódio são Estados Unidos, Rússia e Austrália.
img

Fale um pouco sobre a conquista da medalha de prata do Mundial Sub-21, na Croácia.

Foi um dos melhores momentos da minha carreira. O grupo estava muito unido, fechado no objetivo de fazer uma excelente campanha e consciente do seu potencial. As pessoas não acreditavam muito na gente, devido à sétima colocação no Mundial Juvenil (2001) e depois, pela ausência da Iziane. Mas a força do nosso jogo coletivo superou todas as dificuldades e conseguimos trazer a medalha de prata para o nosso Brasil. Foi uma felicidade incrível, pois se trata de uma geração maravilhosa que trabalha junto há algum tempo nas seleções brasileiras de base e são a garantia da renovação do basquete feminino brasileiro.

O que mudou no seu jogo desde o Mundial Sub-21?

Estou um pouco mais madura. No Campeonato Paulista, por exemplo, em que a Micaela foi jogar na Europa, eu fiquei com a responsabilidade de substitituí-la. Acho que me saí bem. Além disso, melhorei a precisão nos chutes de três pontos.

Como é a ala Silvia Cristina?

Sou brincalhona e divertida. Em quadra, jogo com o coração. Me comunico muito durante as partidas, com as minhas companheiras e com a torcida. Procuro sempre a versatilidade, treinando com dedicação para melhorar em todos os fundamentos, mas o que eu mais gosto é da defesa.
img

Quais os seus planos para o futuro?

No segundo semestre, jogarei mais um Nacional Feminino pelo Unimed/Americana e vamos buscar o bicampeonato. Também tenho muita vontade de jogar no exterior, pois seria uma grande experiência, tanto profissional quanto pessoal. Além de conhecer diferentes escolas de basquete, posso entrar em contato com outras culturas.

Deixe uma mensagem para os iniciantes no basquete.

O mais importante para um atleta é a força de vontade, pois temos que abrir mão de algumas coisas pela carreira. Ficar longe da família, fazer longas viagens, perder alguns compromissos sociais são alguns problemas que a gente enfrenta. Mas sempre vale a pena investir em nossos sonhos.