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01/06/2004 - Leila de Souza Sobral

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Aos 29 anos, Leila Sobral passa por um grande momento em sua carreira. Depois de ficar quatro anos longe das quadras devido a uma contusão sofrida nos Jogos Pan-Americanos de Winnipeg (1999), a ala/pivô foi convocada para o Torneio Pré-Olímpico do México (2003), e não decepcionou. Mesmo não estando nas condições físicas ideais, ajudou a equipe brasileira a garantir a única vaga das Américas para a Olimpíada de Atenas. Agora, Leila está no grupo de 17 atletas convocadas pelo técnico Antonio Carlos Barbosa e trabalha para estar entre as doze que defenderão o Brasil na Grécia. Experiência não falta a essa paulista, que foi campeã do Mundial da Austrália (1994), medalha de prata nas Olimpíadas de Atlanta (1996) e tricampeã sul-americana (1993, 1995 e 1997).

Quais as chances do Brasil na Olimpíada de Atenas?

Uma competição de alto nível como uma Olimpíada não tem favoritos. Temos que nos concentrar em todos os adversários e confiar no nosso trabalho e talento. As outras equipes também têm que se preocupar, e muito, com o Brasil, pois somos uma grande seleção, com jogadoras talentosas e com grande experiência internacional. Acredito totalmente que podemos trazer mais uma medalha para o nosso país.
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E como você se sente a caminho de sua segunda Olimpíada?

Estou super ansiosa e empolgada. Para mim, tudo isso tem sabor de superação, já que não fui aos Jogos de Sydney por causa da contusão que sofri em 1999. Quero muito estar em Atenas e ajudar o Brasil em mais esse desafio. O grupo é bom e estamos bem unidas em torno do mesmo objetivo, que é uma medalha. Todas nos respeitamos muito e o clima é o melhor possível, pois nos conhecemos e somos amigas dentro e fora das quadras.

Como foi a temporada na sua nova equipe, o São Paulo/Guaru?

Estou muito bem. A equipe é jovem e tem potencial. Não conseguimos nos classificar para a segunda fase do Paulista mas fiquei satisfeita com o meu desempenho. Tenho contrato com o clube até o final do ano e esperamos fazer uma boa campanha no Campeonato Nacional. A única dificuldade é a distância, pois moro em Santo André e viajo de uma cidade para a outra diariamente.
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Você ficou longe das quadras por quatro anos, depois da contusão sofrida no Pan de Winnipeg, em 1999. Como foi esse período?

Foi muito difícil. Tive que parar de forma inesperada quando estava em um grande momento da minha carreira. Enfrentei dificuldades para fazer meu tratamento e me vi sem a minha base, que era o esporte. Tudo que consegui foi o basquete que me deu e, de repente, isso mudou. Mas tudo acabou sendo positivo para mim. Aproveitei o momento para realizar outro sonho: o de ser mãe.

E como foi a sua volta ao esporte?

Em um momento, cheguei a ficar muito desanimada e pensei em desistir. Mas o incentivo da família me fez mudar de idéia. Meu marido, minha mãe e meus irmãos (os jogadores de basquete Marta, Márcia e Jeferson) me convenceram a não desistir. Voltei para continuar a me realizar profissionalmente, o que é importante para todo mundo e fiz também pelo meu filho, Davi, pois quero que ele tenha muito orgulho de mim. Além da família, amigas queridas como as técnicas Laís Elena e Arilza foram fundamentais para minha recuperação. Elas me levaram para jogar em Santo André, onde comecei minha carreira, e consegui fazer uma ótima temporada no Nacional de 2003 e no Pré-Olímpico.
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Qual a lição que você tirou dessa experiência?

Que não podemos deixar de ter fé e Deus no coração. Só assim podemos superar todas as dificuldades. Elas servem para nos fazer crescer. Hoje sou uma pessoa mais amadurecida pessoal, profissional e espiritualmente. Aprendi também a ser mais positiva e acreditar mais em mim e nos meus objetivos. Por exemplo, minha meta hoje é estar no grupo que vai para Atenas. Sei que posso conseguir isso, com trabalho e dedicação.

Como administra a vida de atleta e mãe?

É um pouco complicado mas compensa. Tenho uma família que me ajuda bastante, mas difícil mesmo é a saudade. Já sofri bastante no Pré-Olímpico e em Atenas não vai ser diferente, mas o basquete faz parte da minha vida e o Davi, quando crescer vai entender isso.

Seu desempenho no Nacional e no Pré-Olímpico foi além das suas expectativas?

Com certeza, foi surpreendente. Minha média no Santo André foi de 25 pontos por partida e depois de três meses no clube, consegui uma chance na seleção brasileira. No Pré-Olímpico, acho que fiz minha parte, dentro dos meus limites, depois de quatro anos parada e uma gravidez.
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E como você está agora?

Melhor do que o ano passado. Acho que posso ajudar mais ainda a seleção brasileira. Recuperei bem meu peso, apesar de precisar perder ainda uns três quilos e tenho mais velocidade e resistência. Sei que tenho o que melhorar mas o tempo de preparação para as Olimpíadas é o suficiente para estar totalmente em forma. Mantive minhas características técnicas, como a habilidade de roubar bolas, por exemplo. Estou jogando como ala/pivô, me especializando em chutes de meia e longa distâncias.

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