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18/05/2004 - Emmanuel Bonfim Salvador

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Aos 61 anos e 33 de carreira, o técnico Emmanuel Bonfim comanda o Flamengo/Petrobras, primeiro semifinalista do Nacional Masculino 2004. Depois de conquistar o segundo lugar na fase de classificação (22 vitórias em 30 jogos), o clube rubro-negro fechou em três a zero a série melhor de cinco jogos contra o COC/Ribeirão Preto, tricampeão paulista e atual campeão brasileiro. Após uma ausência de três anos (o último clube que treinou foi o Botafogo, semifinalista do Nacional 2001), Emmanuel voltou às quadras para treinar o seu clube do coração, e já colocou o Flamengo entre as quatro melhores equipes do país e classificou o time carioca para a Liga Sul-Americana de 2005.
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Qual a explicação para o sucesso do Flamengo?

União e uma impressionante vontade de crescer. O entrosamento é fantástico e não existe individualismo. Por exemplo, Gema e Marc Brown são apontados como destaques no Flamengo. Na segunda partida do playoff, o Marc Brown não pontuou, enquanto na última o Gema jogou pouco tempo e conseguimos as duas vitórias. Isso mostra que a equipe não depende de um só jogador, o que vem sendo fundamental para a regularidade apresentada nesse campeonato. Outro fator importante para o sucesso é a competência de todos os profissionais da comissão técnica. Os auxiliares Paulo “Chupeta” e o João Batista são companheiros fantásticos e o excelente trabalho de preparação física do André Guimarães contribuiu demais para o bom desempenho dos atletas em quadra.

O Flamengo fez 33 jogos nesse Nacional. Qual o mais importante?

Como sou uma pessoa motivada por vitórias, as 25 partidas que ganhamos foram importantes para mim. Mas acho que a nossa melhor exibição foi na fase de classificação, na segunda partida contra o COC, no Tijuca, que vencemos por 114 a 87. O grupo jogou maravilhosamente bem, entrosado e disciplinado.

Quais as expectativas para a semifinal?

Em qualquer playoff a parte emocional faz a diferença, pois é muito estressante e a responsabilidade vai aumentando a cada partida. Agora é manter a concentração e o nível de jogo que apresentamos até aqui e brigar por uma vaga na final, independente do adversário. Contra o Uniara ou Ajax, a disputa será uma pedreira. São duas grandes equipes com o mesmo objetivo: ser finalista. Sempre digo que o Flamengo respeita todos os adversários, mas não temos medo de ninguém.
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O Flamengo já é uma das quatro melhores equipes do Brasil. A sua missão já está cumprida?

Absolutamente. Cumprimos meta por meta e a cada obstáculo superado queremos ir mais longe. Agora que conheço profundamente o potencial do grupo, sei que podemos chegar ao título. Mas temos que dar um passo de cada vez. É hora de trabalharmos para conquistar a vaga na final e vamos nos dedicar ao máximo para isso.

O que significa o apoio da torcida para a equipe?

É fundamental. Eu, como rubro-negro, sou suspeito para falar, mas jogar no clube que tem a maior torcida do país é realmente fantástico. O basquete está dando aos torcedores uma alegria que outros esportes não estão conseguindo e eles retribuem dando um verdadeiro show nas arquibancadas. A segunda partida do playoff foi sensacional, o público cantou, pulou, passando para os atletas uma energia contagiante.
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Quais os melhores momentos da sua vida profissional?

Além do atual, a minha última temporada, em 2001, me traz boas recordações. Conseguimos levar o Botafogo às semifinais do Nacional, no ano em que Vasco e Flamengo contava com grandes nomes do basquete brasileiro. Fizemos um ótimo trabalho com um grupo jovem e determinado.

E os piores?

Os momentos ruins são aqueles em que sofremos com a falta de ética e honestidade que existem não só no esporte, como em qualquer meio. Dei um tempo das quadras justamente por isso, mas temos que driblar essas dificuldades e agir sempre com honestidade e transparência. As alegrias acabam superando todos esses problemas.

Como analisa a atual fase de sua carreira?

É uma das melhores etapas da minha vida, principalmente por ter sido tão algo tão inesperado. Aceitei o convite do Arnaldo Szpiro (vice-presidente do Flamengo) porque acreditei na proposta e ninguém esperava chegar tão longe. Esse sucesso é uma motivação para todos nós.