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13/05/2004 - Dr. Cesar Pereira Soares de Oliveira

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Há 25 anos como médico da Confederação Brasileira de Basketball, o dr. César Pereira Soares de Oliveira já acompanhou as seleções nacionais masculinas em várias competições internacionais como Goodwill Games – São Petesburgo/Rússia (1994), Nova Iorque/Estados Unidos (1998) e Brisbane/Austrália (2001); e nos Mundiais da Espanha (1986), Canadá (1994), Grécia (1998) e Estados Unidos (2002). Formado pela Faculdade de Ciências Médicas de Santos e especialista em Pediatria e Medicina Esportiva, dr. Cesar está há sete anos no comando departamento médico da CBB, coordenando o trabalho nas seleções brasileiras.

O que é medicina esportiva?

A Medicina Esportiva é uma especialidade médica que permite ao profissional atuar com mais segurança no atendimento a atletas de nível competitivo ou não, e também como atuar junto a serviços diversos de reabilitação do organismo humano.
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Como a parte médica influencia o desempenho dos atletas?

A presença do médico junto ao atleta é fundamental, pois com o embasamento que ele possui permite que toda a comissão técnica possa traçar um período de treinamento mais adequado para esse ou aquele atleta, nas diferentes modalidades esportivas.

Você é chefe do Departamento Médico da CBB. O que é essa função?

A minha função é de Coordenação da parte médica, que envolve o trabalho de médicos e fisioterapeutas. Eu participo de eventos médico-fisioterápicos, que solicitam informações sobre as lesões no basquetebol. Como chefe médico de uma Confederação com prestígio internacional, atualmente represento o Brasil na Federação Internacional de Basquete (Fiba), o órgão máximo do basquete.
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Como é feito o trabalho com as seleções brasileiras?

Independente da seleção que se apresente, o trabalho respeita um roteiro básico. Na apresentação, fazemos uma avaliação médica e postural de cada atleta, coleta de material e avaliação física e neuromotora. Acompanhamos toda a fase de treinamento, analisando a capacidade física e intervindo nos casos necessários. No caso de alguma lesão, discutimos com os fisioterapeutas sobre o tratamento. Outras funções do departamento médico são participar de congressos ou clínicas que antecedem alguma competição internacional e acompanhar os atletas sorteados para o exame anti-doping.

Qual a diferença entre o trabalho realizado com a equipe feminina e a masculina?

Na verdade, a diferença entre as seleções femininas e masculinas é muito pequena, porém temos que respeitar a fisiologia e a parte hormonal de cada um. Para tanto algumas providências tem de ser tomadas, especialmente com as meninas durante o período menstrual.

Por que escolheu a medicina?

Eu sempre estive envolvido com a área biológica durante o Ensino Fundamental e Médio. Além disso, acho que tenho espírito de solidariedade e comprometimento social, fundamentais para o exercício da profissão. Assim que me formei resolvi fazer pediatria. Já nesta época, me interessava em trabalhar com atletas, o que me levou a fazer Medicina Esportiva, que eu iniciei na Universidade de São Paulo e conclui na Escola Paulista de Medicina.

Como foi o início da carreira?

O início de qualquer carreira é muito difícil. Comecei em 1979, como médico do time de futebol do Sport Club Corinthians Paulista. Depois trabalhei no Clube Atletico Juventus, onde passei 20 anos viajando pelo Brasil. No mesmo ano, comecei no basquete. Passei por diversas experiências nas categorias masculinas e femininas. Cada dia foi um aprendizado, uma amizade, um conselho, uma discussão, um pedido, enfim, a construção de uma mentalidade de respeito e amor à pátria que se desenvolveu dentro de mim.
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Por que escolheu o esporte?

Creio que o grande incentivador tenha sido o meu pai. Desde pequeno eu e meus irmãos íamos com ele ver o Corinthians jogar no Pacaembú. O curioso é que quando o Corinthians ganhava nós voltávamos de táxi, porém quando perdia era de Vulcabrás (para os mais jovens era uma marca de sapato). Como meu pai era conselheiro do clube, nós íamos com muita freqüência ao Parque São Jorge para admirar Wlamir Marques, Ubiratan, Rosa Branca, Edvar, Mical, Amaury, Mosquito, Menon e tantos outros. Assisti a grandes jogos do Corinthians contra Real Madri, Saint Joseph's University, seleção soviética, e muitas partidas fantásticas. Assim começou o meu amor pelo esporte.

Como você vê o avanço da medicina?

A Medicina hoje encontra uma grande evolução tecnológica que nos ajuda nas conclusões, permitindo uma melhor programação nos tratamentos e, consequentemente nas recuperações em geral.

Hoje está se tornando comum o uso de substâncias proibidas no esporte. Qual a sua opinião sobre isso?

O uso de qualquer substância que possa melhorar o desempenho de um atleta é bem-vinda. Porém as que trazem efeitos colaterais, alguns irreversíveis, devem ser coibidas de qualquer maneira, pois antes de termos um atleta de ponta, temos uma pessoa com família e sentimentos.

Como o assunto do doping é abordado junto aos atletas das seleções?

Nós enfatizamos com os atletas a importância de pesquisar as substâncias e seus efeitos no organismo. Em todo início de temporada abordamos o assunto.