Imprensa

06/04/2004 - João Antônio Nunes

img
Aos 33 anos, João Antônio Nunes é o preparador físico da seleção brasileira feminina de todas as categorias desde 1999. Com a equipe adulta, João esteve presente na conquista do tetrampeonato sul-americano (1997, 1999, 2001 e 2003), do bicampeonato da Copa América/Pré-Mundial (2001), da medalha de bronze nos Jogos Olímpicos de Sydney (2000) e do título do Pré-Olímpico das Américas (2003), que garantiu a vaga do Brasil em Atenas. Atualmente, João se divide entre o trabalho nas categorias de base do Unimed/Americana, o mestrado na área de Talento Desportivo e a seleção brasileira. Nessa entrevista, ele fala da importância da preparação física e da sua carreira no basquete brasileiro.

O que é um preparador físico?

É alguém que está sempre no meio da história, procurando unir o técnico, tático e físico, com o objetivo de buscar o melhor interesse do grupo. O preparador físico funciona como um mediador no esporte. Para isso, é preciso ter um bom relacionamento com seus subordinados, que seriam os atletas neste caso, como também com aqueles que estão à cima hierarquicamente.
img

Qual a importância da preparação física e do alongamento em uma equipe?

A preparação física é um fator determinante para um atleta, pois sem um físico ideal ele não consegue jogar. O alongamento é um dos objetivos a ser alcançado com a preparação física, além da força e da resistência. Às vezes a preparação é mais importante do que a parte técnica e tática. Nós percebemos isso quando a intensidade do jogo e o contato físico aumentam.

Quais são os segredos de uma boa preparação física?

Acho que o maior e mais difícil é a interação como um todo, trabalhar dentro de um contexto técnico e tático. Tudo tem que estar muito junto, o pensamento de toda a comissão técnica deve ser um só. Não adianta o preparador trabalhar a velocidade e depois o técnico treinar contra-ataques, o que também exige velocidade. Isso pode acabar contundindo os atletas. Temos que saber em que momento cada um deve atuar mais.
img

No que a preparação física para o basquete se difere das outras modalidades?

O jogador de basquete salta, acelera e desacelera constantemente. Depois você tem a questão do alvo, que exige um desempenho de precisão. A preparação física tem que dar resistência ao atleta. Ele tem que ter condição de chegar ao final da partida, que é o momento decisivo, sem fadiga.

Há quanto tempo está na seleção brasileira?

Comecei a trabalhar com a seleção em 1997, no Campeonato Mundial Juvenil Feminino, realizado em Natal. Eu tive uma passagem antes numa excursão para Cuba, mas a primeira competição oficial foi o Mundial. Há sete anos estou à frente da preparação das atletas das categorias de base e principal em todos os campeonatos. Só não fui no Mundial Sub-21 da Croácia, em 2003, porque estava com a seleção adulta nos Jogos Pan-Americanos de Santo Domingo.
img

Que avaliação você faz do trabalho até agora?

Nós temos uma equipe com potencial e trabalhamos com a mescla de atletas muito boa. Temos jogadoras chaves em todas as posições. Acho que todos nós aprendemos algumas lições durante esses anos na seleção. E uma delas é que precisamos de um tempo razoável para preparar uma equipe para uma competição. No mínimo dois meses. Para os Jogos Olímpicos de Sydney em 2000, fizemos um excelente trabalho. Era a primeira vez que a seleção não contava com a Paula e a Hortência e alcançamos o nosso objetivo, que era uma medalha. Já em 2002, no Mundial, tínhamos um time mais maduro, mais experiente, porém não tivemos tempo para uma preparação ideal e ficamos em sétimo lugar.

E a preparação para Atenas?

Temos um ótimo planejamento. Vamos passar o primeiro mês treinando no Rio ou São Paulo. No segundo mês, vamos disputar alguns torneios, que serão competições testes. Vamos ter condições de avaliar as atletas e ver a melhor composição da equipe antes de embarcar para Atenas. A luta da comissão técnica é para ter todas as jogadoras chaves treinando juntas.
img

Porque escolheu o basquete? Como começou a carreira de preparador físico?

Eu jogava futebol, mas nunca vi esse esporte como modelo para estudo. Em 1992, o basquete feminino estava em ascensão. Foi quando montaram uma equipe de alto nível em Sorocaba. Comecei a ter contato com as pessoas envolvidas com a modalidade e vi no basquete um modelo para aplicar o que eu estudava. E foi assim que eu migrei do futebol para o basquete. Depois de Sorocaba, trabalhei em Piracicaba, Osasco, Vasco da Gama e atualmente estou no Unimed/Americana.

Que conselhos você daria para as atletas que estão começando?

Você tem que jogar com amor. Ser feliz fazendo o que gosta. É fundamental ter disciplina nos treinos. No jogo coletivo, você tem que deixar o eu de lado e pensar no conjunto.