Imprensa

31/08/2003 - Aluísio Elias Ferreira Xavier

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No dia 29 de setembro, a comissão técnica da seleção brasileira adulta masculina se reunirá com o presidente da CBB, Gerasime Grego Bozikis, no Rio de Janeiro, para fazer um balanço da temporada 2003. Também está na pauta a seqüência do planejamento para as próximas competições: o Sul-Americano de 2004, a Copa América - Pré-Mundial de 2005, que irá classificar para o Mundial de 2006, no Japão, os Jogos Pan-Americanos de 2007, no Rio; e as Olimpíadas de 2008, em Pequim. No Pré-Olímpico de Porto Rico, o Brasil terminou em sétimo lugar (3 vitórias e 5 derrotas) e ficou fora das Olimpíadas de Atenas, em 2004.

O que faltou para conseguirmos a vaga nas Olimpíadas de Atenas, em 2004?

É um momento muito difícil, mas isso não tira o brilho dos jogadores e da comissão técnica nem do trabalho que realizamos até agora. Perdemos por causa de pequenos detalhes. Precisamos ganhar mais consistência tática e conjunto que vêm com o decorrer dos treinos e jogos. É importante deixar claro que o Pré-Olímpico é uma competição muito difícil e todas as seleções que estiveram em San Juan evoluíram. Hoje, as diferenças entre as equipes são pequenas e alguns detalhes são decisivos para o resultado final.
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Qual sua análise da participação do Brasil no Pré-Olímpico de San Juan?

O trabalho foi correto e bem planejado. Lutamos pela vaga olímpica de igual para igual contra nossos principais adversários e estivemos muito perto da classificação para as semifinais. Perdemos para a Argentina, Canadá e Porto Rico por apenas dois, quatro e dois pontos, respectivamente. É claro que ainda temos muito o que fazer, mas acho que o trabalho foi bem feito.

Houve insistência nos arremessos de três pontos já que o Brasil chutou 193 para acertar 55 (28%)?

A bola de três é uma arma poderosa, mas teve um aproveitamento abaixo do esperado. O uso errado, em alguns momentos, me incomodou porque poderíamos trabalhar melhor a bola no ataque e muitas vezes possibilitou o contra-ataque adversário. Além disso, sucessivas bolas erradas diminuíram a confiança nos próximos arremessos.
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O grupo teve uma atuação dentro da expectativa da comissão técnica?

Seria leviano falar sobre isso agora. O comportamento dos jogadores neste Pré-Olímpico não será analisado apenas pelo último jogo contra o México, mas também pelo que fizeram ao longo da competição. Vou rever todos os jogos e analisar cada um sem o envolvimento da competição. Sempre levaremos em consideração ter a pessoa indicada para cada tarefa. A tendência é de que a equipe cresça ainda mais porque é uma geração promissora e que vai continuar dando muitas alegrias ao basquete brasileiro.

Ficar de fora das Olimpíadas pela segunda vez consecutiva pode atrapalhar a evolução do basquete brasileiro?

De forma alguma. Nos últimos seis anos a CBB vem fazendo um trabalho nas categorias de base com a realização quase 100 campeonatos brasileiros cadete, juvenil e Sub-21. Muitos atletas que participaram dessas competições integram a seleção adulta como o Leandrinho, Nenê, Tiago Splitter entre outros. O Campeonato Nacional é a principal competição do país, onde as 16 vagas são disputadas por mais de 180 equipes nos 27 estados nos torneios seletivos. Temos um calendário até 2.012 onde é possível saber as datas das competições nacionais e internacionais. Os campeonatos regionais são disputados e muito bem organizados. A cada ano surgem novos patrocinadores e novas praças investindo no basquete. E somado a tudo isso, temos o apoio da mídia.
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Quais os pontos positivos da seleção brasileira na temporada 2003?

Mantivemos a hegemonia do continente com o 16º título sul-americano no Uruguai e conquistamos o bicampeonato pan-americano na República Dominicana. O mais importante é a formação de uma equipe nova e talentosa para alguns anos. Também evoluímos na parte defensiva e conseguimos provocar os erros adversários mais do que o normal. Temos jogadores com experiência internacional. O que nos falta é um pouco mais de rodagem e conjunto. A seleção está no caminho certo. Mas a distância é longa. Nos resta continuar treinando para alcançarmos os nossos objetivos em um futuro próximo.