Imprensa

06/08/2003 - Paulo Bassul

img
O técnico Paulo Bassul acaba de conquistar o vice-campeonato da primeira edição do Mundial Feminino Sub-21, disputado na Croácia. Depois de seis vitórias em oito jogos, a seleção dirigida pelo treinador de 35 anos, colocou mais uma vez o basquete feminino como destaque no cenário internacional. Paulo Bassul fala da alegria e orgulho de voltar para o Brasil com uma honrosa medalha de prata no peito.

Causou surpresa para os outros países o vice-campeonato do Brasil?

De certa forma sim, em função do sétimo lugar no Mundial Juvenil em 2001 e da ausência da Iziane, que era um dos destaques da equipe na época. Mas, por outro lado, a cada rodada que passava era nítida a preocupação das outras equipes com o basquete consistente que estávamos apresentando.
img

O que faltou o para a medalha de ouro?

Esta partida final contra os Estados Unidos teve uma característica totalmente diferente do que estamos habituados a ver quando as enfrentamos. Geralmente, devido às constantes substituições, elas conseguem um volume de jogo muito maior do que o nosso e acabam nos liquidando no segundo tempo. Nesta partida, como também estávamos trocando bastante as atletas, suportamos bem o ritmo de jogo e tivemos um volume maior que o delas (161 pontos possíveis para o Brasil e 147 para elas). O que decidiu a partida foi nosso baixo aproveitamento nas bolas de 2 pontos - acertamos 11 em 41 tentativas(27%). Para se ter uma idéia, na partida na qual superamos a equipe americana, na primeira fase, tivemos os mesmos 161 pontos possíveis e elas 158, a diferença foi que acertamos 20 em 46 tentativas (43%).

Faça uma análise da competição.

As forças ficaram distribuídas de forma desigual nos grupos. O nosso foi apelidado de "o grupo da morte" e o fato de quatro equipes da nossa chave terem alcançado as semifinais prova que não houve exagero na análise. Este fator fez com que cada partida na primeira fase fosse decisiva, e nossa equipe superou muito bem esta dificuldade. A Austrália tinha equipe para estar entre as quatro melhores do mundo e perdeu para a Letônia na fase de classificação, o que foi definitivo para elas. As maiores decepções ficaram por conta de República. Tcheca e Rússia. A Croácia acabou sendo a surpresa positiva.

E o Brasil?

O grupo assimilou bem a filosofia de jogo que implantamos. Desde a apresentação foi colocado de maneira clara faríamos defesa agressiva com jogo de transição durante todo o campeonato e que, para se conseguir isto disputando oito partidas em dez dias, a troca de jogadoras teria que ser constante. O fato de vencermos a maioria dos jogos aumentando o rendimento no segundo tempo mostra que a estratégia surtiu resultado.
img

Houve evolução do grupo do Mundial juvenil 2001 para o de hoje?

A evolução foi nítida em vários aspectos. Houve melhora individual de algumas atletas que estão atuando com mais freqüência em seus clubes nas competições adultas. O entrosamento e a experiência que o grupo adquiriu disputando amistosos e competições internacionais também foram fatores muito valiosos. Além disso, a decepção do grupo com o sétimo lugar em 2001 acabou criando condições para implantarmos uma filosofia com trocas mais constantes de jogadoras. Tenho a certeza de que isto não seria bem recebido naquele momento, pois tínhamos um grupo mais heterogêneo e menos maduro para suportar uma maior distribuição no tempo de jogo.

Quais os destaques do time do Brasil?

Individualmente, pela maneira que jogamos, os destaques se alternaram a cada jogo. Coletivamente a defesa e o contra-ataque foram as maiores armas para a conquista da medalha de prata.
img

E o futuro dessas jogadoras em relação ao aproveitamento na seleção principal?

O vice-campeonato mundial mostra que temos bons valores para mantermos nosso basquete feminino entre as maiores potências do basquete por muitos anos. Acredito que esta renovação tem que ser feita gradativamente e de forma natural. À medida que a seleção adulta for precisando de novas jogadoras, tenho certeza que elas darão conta do recado. Enquanto não são chamadas para atuar oficialmente na equipe principal, uma boa medida é utilizar estas jogadoras em amistosos e torneios internacionais não interrompendo seu processo de evolução.

Qual a principal lição tirada desse mundial?

Foi a de que para se obter bons resultados internacionais é preciso ter investimento e visão a longo prazo. Jogar contra seleções tradicionais é o melhor caminho para acelerar este processo.