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09/06/2003 - Sérgio de Jesus Pacheco

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A convite da USA Basketball e indicado pela CBB, o árbitro internacional FIBA, Sérgio de Jesus Pacheco, viaja no mês de agosto para os Estados Unidos. Lá, ele vai dar aulas sobre as diferenças entre as regras da FIBA e da NBA, preparando a seleção norte-americana para o Pré-Olímpico de San Juan, em Porto Rico. Com 15 anos de carreira e aos 38 anos de idade, Pacheco já participou de competições internacionais e nacionais importantes da seleção brasileira masculina, como Mundiais (Atenas/1998 e Indianápolis/2002), Jogos Pan-Americanos (Winnipeg/1999), Goodwill Games (Austrália/2001), Copa América Adulta (Néuquen/2001), Copa América Sub-21 Masculina (Ribeirão Preto/2000), Campeonatos Centro-Americanos, Jogos Sul-Americanos, Mundiais Interclubes e Campeonatos Nacionais, Paulistas e Carioca.

Como será realizado esse trabalho nos Estados Unidos?

A função desse trabalho desenvolvido pela USA Basketball é ensinar as regras FIBA para os jogadores da seleção norte-americana, que estão mais acostumados com as regras da NBA. Viajo para os Estados Unidos antes do Pré-Olímpico que será realizado de 20 a 31 de agosto. Chegando lá, vou dar palestras, acompanhar os treinos e apitar alguns amistosos contra seleções internacionais. É um momento importante na minha carreira. Representa muito para um árbitro brasileiro receber esse pedido de ajuda vindo de um país como os Estados Unidos, que têm uma supremacia reconhecida no esporte. Com certeza, é uma grande honra para mim e para o basquete brasileiro.

Quais são as diferenças entre as regras FIBA e NBA?

As regras FIBA determinam quatro tempos de 10 minutos, dois árbitros por jogo e o limite é de cinco faltas por jogador e de cinco pedidos de tempos por jogo. Se soar o apito de tempo de posse de bola, o jogo é paralisado e ela vai para o time adversário. O contato entre os jogadores é bastante restrito. Já na NBA, são quatro tempos de 12 minutos, três árbitros por jogo e o limite é de seis faltas por jogador e de sete pedidos de tempo por time. Se quando soar o apito do limite de tempo, a bola for arremessada e bater no aro, o jogo continua e a posse é de quem recupera-la. Na NBA, também se permite mais o contato.
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Como começou a sua carreira como árbitro?

Jogava basquete e resolvi fazer um curso de mesário. Depois disso, comecei a apitar alguns jogos. Então decidi fazer um curso de árbitro na Federação Paulista. O primeiro jogo profissional que apitei foi Sírio e Limeira, durante o Campeonato Paulista. Em dezembro de 1996, me tornei árbitro internacional. A partir daí, ganhei mais visibilidade e comecei a ser chamado para competições nacionais e internacionais importantes.

Cite as principais competições que você arbitrou.

As principais competições internacionais que eu apitei foram os Mundiais de 1998, em Atenas (Grécia), e o de 2002, em Indianápolis (Estados Unidos), e os Jogos Pan-Americanos de Winnipeg (Canadá), em 1999. Também apitei no Goodwill Games de Brisbane (Austrália), em 2001; na Copa América Adulta de Neuquén (Argentina), em 2001; e a Sub-21 Masculina de Ribeirão Preto, em 2000; no Campeonato Centro-Americano; em Campeonatos Sul-Americanos e em Campeonatos Mundiais Interclubes. Os principais jogos nacionais foram as finais do Campeonato Nacional e do Campeonato Paulista. Também tive a oportunidade de apitar jogos do Campeonato Carioca.

E qual foi a partida mais difícil que você apitou?

Foi o segundo jogo da final do Campeonato Nacional de 2000, disputada entre Vasco da Gama e Flamengo/Petrobras, no Maracanãzinho. Aprendi muito apitando esta partida, mas acredito que todas as finais são importantes. Elas sempre têm aquele gosto de desafio e são muito marcantes na carreira de um árbitro.
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Como um árbitro se sente quando é vaiado pela torcida?

A melhor recompensa que um árbitro pode receber depois de ter feito um bom trabalho e apitado uma boa partida é o reconhecimento da torcida. Por isso, ser vaiado é muito decepcionante. Mas é preciso ter humildade para reconhecer seus erros. Um bom árbitro é humilde e completamente imparcial. Estamos sempre aprendendo coisas novas e tentando melhorar.

Você também trabalha numa Delegacia da Polícia Civil. Como você administra a sua vida profissional?

É uma grande correria. Existem dias em que, à tarde, dou plantão na delegacia e, à noite, tenho que apitar um jogo. É bastante cansativo, mas consigo conciliar as duas profissões.