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15/05/2003 - Anderson Varejão

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Anderson Varejão, de 20 anos, vai para sua terceira temporada no basquete espanhol jogando pelo Barcelona. No último domingo, tornou-se o primeiro brasileiro a conquistar o título da Euroliga. Na final, o Barcelona derrotou o Benneton Treviso por 76 a 65. O pivô, de 2,11m, começou a sua carreira no Saldanha da Gama (ES). Depois, jogou pelo Franca Basquete (SP). Em julho de 2001, estreou na seleção brasileira adulta. Foi campeão do Torneio Internacional do México e vice-campeão do Sul-Americano, disputado no Chile, e da Copa América, na Argentina. Em 2002, com apenas 19 anos, participou do 14º Campeonato Mundial, em Indianápolis, e enfrentou jogadores consagrados. Anderson não se intimidou com o desafio, pois já conhecia muitos desses atletas jogando pelo Barcelona. Este ano, ele se juntará à seleção brasileira para disputar o Sul-Americano do Uruguai, os Jogos Pan-Americanos da republica Dominicana e o Torneio Pré-Olímpico de Porto Rico. Nesta competição, o Brasil precisa conquistar uma das três vagas das Américas para as Olimpíadas de Atenas, em 2004.
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Aos 20 anos de idade, como você analisa a sua participação na seleção brasileira?

Não tem nada mais gratificante para um jogador do que poder vestir a camisa da seleção brasileira. Minha oportunidade chegou cedo. Acredito que fiz um bom papel, por isso fui convocado outras vezes. Jogar pelo Brasil me deu mais maturidade na hora de encarar o desafio de ir jogar na Europa, num grande clube como o Barcelona.

E a sua estréia num Mundial em Indianápolis?

Os seis meses que joguei pelo Barcelona antes do Mundial me deixaram com a cabeça mais tranqüila para participar desta competição. Muitos jogadores têm medo de enfrentar atletas consagrados. Como já havia jogado contra muitos deles na Euroliga, não fiquei tão assustado. O Brasil poderia ter chegado mais longe na classificação, mas fizemos um bom trabalho como equipe. Agora sabemos que temos condição de enfrentar as outras equipes de igual para igual.
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Quais as chances do Brasil no Pré-Olímpico?

Temos muitas chances de conquistar uma das três vagas para as Olimpíadas de Atenas. A primeira coisa que temos que fazer é confiar no nosso jogo e não pensar que esta ou aquela seleção é muito superior. Com a minha experiência, a do Nenê e a de outros jogadores que jogam no exterior e com a qualidade dos jogadores que estão no Brasil, vamos estar na briga por estar vaga, com certeza.

Fale um pouco da sua experiência na Espanha.

Estou muito bem adaptado ao clube e ao país. Tenho o privilégio de jogar no Barcelona, um clube que este ano já conquistou dois títulos e que pode conquistar o terceiro em breve. Já ganhamos a Copa do Rei e a Euroliga e agora queremos a Liga Espanhola. Tenho aprendido bastante com o técnico do time Svetislav Pesic e com a experiência de jogadores como Bodiroga, Fucka e Jasikevicius.

Existem diferenças entre o estilo de jogo do basquete espanhol e do basquete brasileiro?

No basquete espanhol, o jogo é mais controlado, mais tático. Defendemos com muito mais intensidade do que no Brasil. No caso do Barcelona, por exemplo, o técnico Svetislav Pesic dá muito valor à parte defensiva.
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O que melhorou no seu estilo de jogo nessas duas temporadas na Espanha?

Ainda tenho muito o que aprender no basquete, mas o estilo da minha defesa melhorou bastante por causa da quantidade de treinos que fazemos no Barcelona. Também acredito que o trabalho no aspecto físico está me dando mais força no jogo dentro do garrafão.

Cite e analise os melhores jogadores espanhóis.

Juan Carlos Navarro, que joga comigo no Barcelona, é um jogador de muito talento no ataque. O Jorge Garbajosa está tendo muito sucesso no Benetton, onde é difícil para um jogador estrangeiro tomar o lugar dos italianos. E, claro, admiro o Paul Gasol, que está na NBA. Ele foi eleito o melhor novato ano passado e, para mim, vai ser um dos grandes nomes do NBA nos próximos anos.

Após duas temporadas no basquete europeu você acredita que possa vir a jogar na NBA?

Tudo é questão de tempo. No começo, foi uma surpresa saber que um clube europeu estava interessado no meu basquete. É claro que penso em jogar na NBA, mas agora penso apenas no Barcelona, porque eles apostaram em mim.
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Quais são os seus planos para a próxima temporada?

Por enquanto, meus planos são permanecer jogando em Barcelona. Tenho contrato com o time até junho, mas o clube tem a opção de renovar por mais três anos. Estou bem adaptado à cidade, fiz muitos amigos e jogo em um clube espetacular, que luta por todos os títulos.