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06/05/2003 - Flávio Davis Furtado

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O técnico Flávio Davis Furtado, de 37 anos, está comemorando a boa campanha do Universo/Minas no Nacional 2003 e colhendo os frutos do trabalho que desenvolve há quinze anos no basquete mineiro. O time está nas quartas-de-final e vai disputar os playoffs contra o Flamengo/Petrobras. Além disso, o Minas Tênis tem a melhor defesa da competição e, pela primeira vez na história do Campeonato, terminou a fase de classificação em segundo lugar. Flávio Davis também faz parte da comissão técnica da seleção brasileira masculina, que, na temporada de 2003, disputa o Campeonato Sul-Americano, os Jogos Pan-Americanos e o Torneio Pré-Olímpico e enfrenta o desafio de conquistar uma vaga para as Olimpíadas de Atenas, em 2004.
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Qual o segredo do sucesso da equipe do Universo/Minas no Nacional?

O ponto determinante do sucesso do Universo/Minas no Nacional é a ênfase no coletivo. É impossível destacar o desempenho de um dos jogadores da equipe. Todos estão fazendo o melhor que podem, conscientes da sua responsabilidade individual e coletiva. Nossos treinamentos dão muita importância ao trabalho em grupo e ao aspecto defensivo. Com este trabalho, conseguimos apresentar a melhor defesa do Campeonato e conquistar o nosso primeiro objetivo, que era chegar às quartas-de-final.
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O que você acha de ter o Flamengo como adversário nas quartas-de-final?

Sabemos que será difícil enfrentar o Flamengo nas quartas-de-final. É uma equipe forte, experiente, com figuras consagradas do basquete brasileiro, como Oscar e Miguel Ângelo da Luz, e bons jogadores, como Alexey e Ricardinho. Precisamos manter a concentração e marcar bem o Oscar, um dos maiores pontuadores do basquete mundial. Mesmo sabendo que vencemos os jogos do turno e do returno, não existe vantagem. Vai ser um confronto decidido nos detalhes. Leva vantagem a equipe que tiver mais controle emocional nos momentos decisivos da partida, disciplina tática e vontade defensiva.

Como você analisa os outros três confrontos dos playoffs (Unit/Uberlândia x Vasco da Gama, COC/Ribeirão Preto x Uniara/Araraquara e Universo/Ajax x Londrina/Aguativa)?

Serão partidas equilibradas. Se no turno e no returno o Campeonato já mostrou uma grande regularidade e competitividade, durante as quartas-de-final, o equilíbrio fica ainda maior. Todas os oito times são bons e não há favoritos. Não vai ser uma surpresa se as equipes melhor colocadas, como Unit/Uberlândia e Universo/Ajax, perderem para os times que se classificaram mas não ficaram tão bem na classificação, como Vasco da Gama e Londrina/Aguativa. O confronto mais disputado será COC/Ribeirão Preto e Uniara/Araraquara. É um clássico paulista. Espero que a rivalidade entre os dois times possa transformar os jogos num bom espetáculo.
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Fale um pouco do trabalho que você vem desenvolvendo no basquete mineiro.

É um trabalho árduo que desenvolvo há quinze anos no Minas Tênis Clube. Comecei nas equipes de base, treinando jogadores que hoje participam do Nacional, como Luis Fernando (Universo/Minas), Wanderson (Franca Basquete) e Alírio (Mogi/UBC/D’avó). Passei por todas as categorias e isso foi um grande aprendizado para mim como técnico. Desde 1999, estou trabalhando com o time adulto. Em 2003, o Minas conquistou um fato inédito no Nacional: acabamos a fase de classificação em segundo lugar. Agora queremos uma das quatro vagas para a semifinal. Isso vai dar mais visibilidade para esse trabalho desenvolvido no basquete mineiro da escolinha ao adulto, um exemplo a ser seguido por todos os clubes brasileiros.

E qual sua expectativa em relação a temporada 2003 da seleção brasileira?

Como membro da comissão técnica, sei que nossa responsabilidade é grande e que o nosso desafio é ainda maior. Sabemos que será difícil conquistar a vaga para as Olimpíadas de Atenas, em 2004, mas confio no potencial da seleção brasileira. Os jogadores pré-convocados vêm apresentando características muito positivas no Nacional e nas competições internacionais que estão disputando. Além disso, o Campeonato Sul-Americano, em julho, e os Jogos Pan-Americanos, em agosto, vão servir como uma preparação progressiva para a competição alvo, o Pré-Olímpico. Durante os treinamentos, precisamos passar motivação a todos os jogadores. Eles precisam entrar em quadra acreditando no potencial do basquete brasileiro, para levá-lo ao posto onde ele merece estar: entre as melhores equipes do basquete mundial.